Minha vida daria um livro - Parte 2

Se você já leu a primeira parte do breve resumo da minha vida deve achar que já sou até obreira depois de três anos passados. 
Eu era aquela jovem que era auxiliar de tribo, ajudava em núcleos, evangelizava, orava, jejuava por mim e pelo povo, limpava a igreja, não faltava em uma reunião, fazia votos, era fiel, ajudava na EBI e no berçário. Cheguei a participar de reunião de pré candidato à Obra de Deus.
Comecei a passar por desertos com minha família, principalmente envolvendo minha mãe. Ela brigava porque eu ia para igreja. Falava que eu só pensava em igreja, ficava dando dinheiro para pastor. Ela certa vez ficou entre eu e o portao quando eu estava saindo para ir à uma reunião. Ela ia na igreja atras de mim. Chegou a brigar com o pastor auxiliar, obreiros. Ela me arrastava. Falava que eu queria "dá para os pastores". Falava que se eu fosse mais uma vez para igreja que era para eu arrumar minha mala e ir morar com o pastor. Mas mesmo com tudo isso, eu permanecia mais forte que nunca. 
Deus me honrou com um emprego de jovem aprendiz em dezembro de 2016, mas eu começaria a trabalhar em 2017. Até ai tudo lindo. Vida espiritual e financeira lindas. Em 2017 passei em duas universidades com a nota do Enem (eu havia tirado 900 de 1000 só na redação 🤓) . Mais lindo ainda ne? Consegui uma bolsa integral de jornalismo na Anhembi Morumbi (uma das melhores) e em pedagogia na Universidade de São Paulo vulgo USP.  Duas ótimas universidades. Entretanto como eu estava trabalhando período integral, e a faculdade de jornalismo seria no período da tarde sem opção de mudança, optei pela USP. Gente a USP é um sonho. Lá era lindo e enorme (por isso chamada de Cidade Universitaria). Me sentia naquelas universidades dos EUA com aqueles gramados e árvores. Pedagogia é um curso dificílimo, afinal se trata de educação; ensino.  Eu me sentia tão burra. A maioria da turma já estava na segunda ou terceira graduação,  e grande parte eram pessoas que tiveram uma educação e vida bem melhor que a minha. Com isso passei a estudar muito. Deixei de ir nas reuniões do FJU.  No início, durante a semana ainda ia na IURD de Pinheiros e de lá pegava um ônibus até a faculdade. Mas acabei me cansando e ia direto do trabalho para faculdade. Resumindo, já não ia na igreja na semana. Só aos domingos. Com isso fui trocando a leitura da bíblia por textos acadêmicos. Deixava de orar pra descansar. Fui deixando Deus em segundo plano e ficando fraca. Em uma determinada reunião numa quarta feira que era feriado, pediram para eu e uma amiga sentarmos no banco da frente para ocupar os dois lugares que tinham sobrado. Sentamos. E durante a reunião uma obreira falou para eu sentar lá atrás porque meu vestido estava curto (ele era na altura do joelho). Não discuti e me retirei. Mas aquilo me machucou. Muito. Sai antes da reunião acabar.  E eu que já não estava bem na fé, fiquei com mágoa da obreira e da igreja num todo. Coloquei dentro de mim que nunca mais pisaria meus pés de novo numa igreja universal. Bloqueei todos da igreja das minhas redes sociais. E os que eu tinha nao respondia. Me ligavam e eu não atendia. 
Depois de um semestre e meio de faculdade, comecei a me sentir deprimida. Eram tantos trabalhos. Todos tão difíceis. Eu não entendia os textos e matérias. Deixei de ir às aulas. Nem forças pra ir trancar a matrícula eu tive. Acabei sendo desmatriculada automaticamente. 
Eu comecei a viver triste. Me voltei para as séries e livros de novo. Quando não estava no trabalho, estava assistindo a séries. Final de semana era só Netflix. Me sentia triste e as séries era o que me completavam. Mas quando eu acabava uma, me sentia mais deprimida ainda. 
Começaram a vir tantas dificuldades no trabalho. Eu havia sido efetivada antes do final do contrato de onze meses. Mas sendo primeiro emprego e não havia experiência ou formação na área eu estava surtando interiormente. Parecia que tudo que eu fazia estava errado. Eu me sentia muito pressionada. Dependendo da situação, ficava super estressada, preocupada, desesperada. Comecei a sofrer com ansiedade. Por conta das dificuldades eu ficava super ansiosa. Com isso passei a ter uma fome eterna. Quanto mais eu comia, mais fome eu sentia. Engordei mais de 10kg em um ano. Meu salário ia todo para o aluguel da casa que morava com minha mae e contas que tínhamos que pagar já que eu era a única que trabalhava. Não conseguia nem comprar roupas para mim. Isso me deixava mais triste ainda porque eu estava ralando e não podia nem desfrutar do suor do meu trabalho. 
Como meu vale era menor que o valor do aluguel eu tinha que esperar por uma ajuda do meu pai. Sempre pagavamos uns dias atrasados e o proprietário começou a reclamar. E como reclamava. Até xingava. Comecei a ter muito odio dele. Com todo esse turbilhão de situações, a única coisa que eu queria na minha vida era morrer. Eu vivia chorando em casa. Deitava na minha cama e ficava. Pensava que se fosse pra viver tanta humilhação, tanta coisa ruim, era melhor morrer. Passei em psicólogo e psiquiatra. Eu tomava antidepressivos mas eu continuava me sentindo uma nada, um lixo, uma imprestável. Sentia raiva e ódio de todos. Preferia morrer do que viver desse jeito. Passava várias vezes na minha mente para eu me jogar da passarela da rodovia onde eu passo todos os dias para ir trabalhar. Mas todas as vezes que eu pensava em fazer isso, parecia que algo me impedia de cometer tal atitude. Hoje, esse algo, eu sei que era o próprio Deus me guardando.

Cloridrato de Setralina era o antidepressivo que eu tinha que tomar dois comprimidos todas as manhãs

Nenhum comentário:

Postar um comentário